2008 o ano negro
2008 termina agora, e uma coisa é certa, não vai deixar muitas saudades… Pelo menos aos que não ganharam o Euro Milhões.
A nível interno foram alguns os momentos marcantes, que seriam de pura comédia não se tratassem de casos reais de um país real. O ano começou com a saída do Ministro da Saúde, depois de muitos protestos, o elo mais fraco de um (des) governo que nos acompanhou ao longo do ano. O Engenheiro José Sousa, pode gabar-se de algumas coisas, como ser um excelente gestor de recursos humanos, uniu os professores como nunca ninguém o fez, juntou os camionistas numa luta que se durasse mais 1 ou 2 dias os resultados poderiam sem bem mais drásticos do que aqueles que tivemos… Várias foram as trapalhadas protagonizadas desde o fumar abordo de voo fretado pela TAP, isto não seria nada de anormal, não tivesse o mesmo criado uma lei que proíbe tal facto. Outra trapalhadas ouve, então a nível das finanças e as intervenções sobre as mesmas foram geniais, sendo que um dizia uma coisa e o outro umas horas depois o contrario. Outra das grandes guerras foi a dos professores, ou melhor, dos sindicatos contra a ministra, guerra essa que ainda não terminou, afinal de contas ainda temos 2009 para mais manifestações. Guerra poderíamos chamar ao assolou o país ao longo do verão, dia após dia, e em virtude da falta de noticias de incêndios, a imprensa decidiu mostrar ao pais a segurança que paira no ar das grandes cidades.Por fim, a nacionalização do BPN, a meu ver errada, invocou-se que era para salvaguardar os clientes e as suas poupanças, bem como a conjuntura internacional, mas a falência do BPN nada teve a ver com a crise internacional, teve sim a ver com gestão danosa por parte dos 22 administradores que encheram o bucho ao longo de 4 anos.
A nível internacional, há muitos acontecimentos a destacar. Talvez aquele que posso destacar como acontecimento do ano foi a eleição de Barack Obama, o primeiro negro eleito para presidente dos Estados Unidos da América, campanha foi muito promissora, vamos ver o que nos espera 2009. Outro facto marcante de 2008 foi a crise internacional que afectou tudo e todos (segundo Sócrates passou ao lado do nosso país). Países que gozavam de uma saúde financeira invejável, viram-se de um dia para o outro na banca rota, caso da Islândia. Seria bom que 2009 trouxesse melhores ventos, mas não se espera um ano fácil a nível económico. Ainda no que aos mercados diz respeito, o crude bateu recordes atrás de recordes, chegando mesmo a bater a barreira dos 140 dólares barril no verão. 2008 foi o ano em que a Irlanda disse não ao Tratado de Lisboa, veremos o que nos espera 2009, pois é esperado um segundo referendo de forma a resolver mais um embroglio com mãozinha do Sócrates.
2008 foi um ano recheado de eventos desportivos, o mais importante ocorreu em pleno verão, quando a China organizou aqueles que a meu ver, foram os melhores Jogos Olímpicos de que eu tenho memória, isto no que ao nível desportivo diz respeito, no que a politica diz respeito já não posso dizer o mesmo. Mas voltando a parte desportiva, foram batidos recordes atrás de recordes, Michel Phelps foi a imagem com 8 medalhas, batendo o recorde de Mark Sptiz que tinha conquistado 7 medalhas de ouro em Munique corria o ano de 1972. Quanto aos atletas portugueses destaco o Nelson Évora pela sua humildade no momento da vitória do triplo salto.Mas 2008 começou com o cancelamento da mais mítica prova de todo o terreno do mundo, o Dakar, que tinha partida agendada para Lisboa, foi cancelado no dia da partida por motivos de segurança. Ano de Jogos Olímpicos, significa também ano de Europeu de futebol, depois de em 2004 Portugal ter chegado a final, desta feita não passou dos quartos de final, esta prova foi justamente vencida pela Espanha, numa final onde bateu a Alemanha. A nível de clubes o Man United ganhou o ceptro Europeu, e Ronaldo foi coroado como melhor do mundo para o France Football, esperando agora que a 11 de Janeiro a Fifa confirme esse mesmo titulo, a nível interno o Porto foi campeão, ao passo que Sporting ficou com a Taça de Portugal e com a Supertaça.
Termino com um texto de Eça de Queirós que já tinha publicado em tempos, mas que espelha o pais actual, apesar de o texto estar datado de 1871.
Portugal Perdido
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte, o país está perdido.
Eça de Queirós
Lisboa, 1871
P.S.- É certo que faltarão outros acontecimentos tanto ou mais importantes que aqueles aqui relatados


